Foi assim que eu fiquei na praia sozinha

Foi assim que eu fiquei na praia sozinha, era manhã 07:30 eu eu estava me preparando para pegar um lindo dia de sol, quando vi que eu estava sozinha na praia acabei tirando meu biquini e ficando totalmente sem roupa, aproveitei que não tinha ninguém na praia e tomei um delicioso banho de sol.

O sol descia devagar, como quem hesita em partir. As famílias recolhiam cadeiras, os vendedores fechavam suas caixas térmicas, as vozes iam se afastando até virarem apenas ecos. Eu permaneci. Não por distração, mas por escolha. Havia algo naquele ar salgado, naquela luz dourada tocando a pele, que pedia permanência.

Estava tão gostoso o banho de sol que resolvi ficar mais tempo.

O vento corria livre, brincando com o cabelo, desenhando sensações que não se explicam com palavras simples. A areia ainda quente sob os pés criava um contraste quase íntimo, como se cada passo fosse um diálogo silencioso entre o corpo e o lugar. Eu sentia o tempo desacelerar, como se o mundo tivesse decidido me observar em silêncio.

O mar, constante e paciente, avançava e recuava sem pressa. Um movimento antigo, repetido por séculos, que já viu histórias começarem e terminarem ali mesmo, na beira. Eu me sentia parte dessa continuidade, como se aquele cenário tivesse sido preparado para esse instante específico.

Nada de extraordinário acontecia.
E ainda assim, tudo era carregado de significado.

Existe um tipo de desejo que não pede ação — pede contemplação.
Um desejo silencioso, que nasce do sentir-se inteira, dona do próprio espaço, confortável na própria presença. É esse tipo de desejo que não se vê, mas se pressente. Que não se explica, mas se reconhece.

Quem passasse por ali, à distância, talvez visse apenas uma figura solitária diante do mar. Mas a história real acontecia dentro. Nos pensamentos que vinham sem serem chamados. Na liberdade de não precisar responder a ninguém. Na estranha e deliciosa sensação de ser suficiente.

Quando finalmente decidi ir embora, não foi porque algo acabou.
Foi porque

Algumas histórias não precisam de testemunhas.
Basta quem viveu.

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